Fui conhecer Granada com a família

Desta vez o desafio partiu do meu pai. Estávamos a pensar na nossa viagem de inverno do costume, Serra da Estrela, até que ele sugeriu, "e se fôssemos antes para Granada?". Nem foi preciso dizer mais nada. Vamos a isso!

Antes de mais, devo dizer que esta viagem foi um desafio. Em primeiro lugar porque os meus pais obrigaram-me a abrandar o ritmo: a minha mãe gosta de ir passear mas para descansar e não para andar de um lado para o outro como eu e como o meu pai. O meu pai gosta de ser ele a decidir o que vamos ver e visitar, não fosse ele Historiador. Para o meu namorado qualquer que seja o plano está ótimo desde que tenha umas horinhas para aproveitar o conforto do hotel.

Chegámos a Granada já ao final do dia e, depois de nos instalarmos e explorarmos a zona onde estávamos, fomos jantar à Tasca El Conde, num bairro muito concorrido e cheio de vida noturna, ainda mais tendo em conta que era sexta-feira. Recomendo muito! As tapas são fantásticas, o atendimento atencioso e o ambiente descontraído.

No dia seguinte, depois de um pequeno-almoço reforçadíssimo era hora de explorar o centro histórico de Granada.

Perdi-me instantaneamente na Alcaicería, um bairro comercial típico árabe, e aproveitei para fazer umas compras (o que não agradou muito o meu pai). Continuámos pela Catedral, algumas praças emblemáticas, como a Plaza de Puerta Real ou a Plaza de Isabel La Católica, até chegarmos à tão esperada Alhambra, esse espaço adorado por todos e monumento obrigatório para quem visita a cidade. Só que não.

Depois de uma caminhada difícil eis que descobrimos que para entrar se tem de comprar os bilhetes com antecedência e que há limite diário para as vendas. Que maravilha! Sim, é uma medida de proteção contra os inúmeros turistas que visitam o espaço todos os dias, todos os anos. Há locais em que a visita é grátis mas obviamente que as salas e palácios principais não o são. Um erro que não voltarei a cometer, é certo, mas que não foi fácil de ultrapassar.

Preparámo-nos então para ir à Sierra Nevada. Eu estava entusiasmadíssima porque queria experimentar snowboard, estava um dia lindo e depois do episódio anterior pensei que isso me iria salvar o dia. Mais uma vez estava enganada. Ainda fomos tapear qualquer coisa – a desilusão dá fome, para quem não sabe – e acabámos por chegar ao topo às 15h. Como é óbvio nem lugar para estacionar conseguimos e a minha ideia de ser radical teve de ser adiada.

E foi nesta altura, em que o dia parecia estar completamente arruinado, que mais nos divertimos em família. Aproveitámos a neve, brincámos, registámos tudo e fomos embora felizes da vida. Lembrámo-nos da razão desta viagem: a família, fazer uma pausa no dia-a-dia. E eu já não saía do país com os meus pais há muitos anos. Foi muito divertido ver o meu namorado a pedir cañas sem dó nem piedade para o meu pai, ver a minha mãe a esforçar-se ao máximo para acompanhar o nosso ritmo enquanto explorávamos o centro da cidade e a felicidade dela em semi-construir um boneco de neve. Conhecendo muito ou pouco, mais ou menos do que se tinha planeado, são muitas vezes as pessoas que fazem a nossa viagem valer tanto e tornarem-se memórias tão boas.

No dia seguinte ainda tivemos tempo para conhecer o miradouro de San Miguel e passar pela minha querida Sevilha para tapear mais uma vez. E pedir mais umas cañas.

Até à próxima viagem!