Menorca, o pequeno paraíso no Mediterrâneo

Uma ilha, uma estrada principal e menos de 700 km2: Menorca.

Desde que conheci Maiorca, em 2017, fiquei com vontade de conhecer as restantes ilhas baleares, principalmente esta, que é a segunda maior ilha do arquipélago.

Ainda não tinha aterrado e a vista da janela do avião já me mostrava que ia gostar de conhecer as infinitas calas desta ilha. À primeira vista, poderia confundir-se com Maiorca, também ela com calas lindas e com águas muito apetecíveis. Mas assim que entrámos no carro que nos ia levar à outra ponta da ilha, onde se situava o nosso Hotel, e percorremos a estrada C-21, percebemos que não. A paz reina nesta ilha, que tem muito menos movimento que Maiorca. O facto de termos ido em outubro também influenciou, já que em agosto são milhares de turistas que aqui vêm aproveitar as águas cristalinas do Mediterrâneo.

O Hotel – Casas del Lago - Lago Resort Menorca

Não podíamos ter escolhido melhor o sítio onde ficámos hóspedados. O Casas del Lago está localizado a dois passos da Cala'n Bosch, uma zona mais calma de Menorca, e tem uma piscina enorme, boa comida, bons cocktails, quartos espaçosos e funcionários muito simpáticos – principalmente o sr. Santos, que foi incrível!

No hotel há ainda possibilidade de marcar várias atividades, como passeios de cavalo, mergulho ou jet ski. A cereja no topo do bolo foi a visível preocupação ambiental do alojamento, nomeadamente contra a utilização dos plásticos descartáveis.

As Calas e os Trilhos

As calas (enseadas) localizam-se em toda a zona sul da ilha e são as praias mais bonitas de Menorca. A Norte, a paisagem é totalmente diferente, mais rochosa e com menos vegetação.

Uma das melhores partes desta viagem foi ter desligado completamente do mundo, limitei-me a aproveitar o momento e a natureza. Para isso, contribuiu o facto de não ter tido rede no telemóvel durante o dia. E porquê? Porque decidimos percorrer uma parte do Camí de Cavalls, um dos principais e históricos trilhos da ilha. Ao todo, esta rota de dificuldade moderada – aconselho a levarem sapatos confortáveis ou ténis – tem 220km. Apesar de alguns problemas que a recuperação do Camí de Cavalls tem tido com proprietários de terrenos, que negam a passagem aos caminhantes, é possível fazer alguns troços. Vale bem a pena o esforço e percebe-se porque é que em 1993 Menorca foi classificada pela UNESCO como Reserva da Biosfera.

A minha garrafa de água reutilizável anda sempre comigo! 

Foi simplesmente incrível mergulhar nas águas quentes e cristalinas de cada cala depois de andar tantos quilómetros pela natureza e com paisagens fantásticas – em média, percorremos cerca de 14km por dia.

Pelos trilhos do Camí de Cavalls estivemos nas Calas:

  •  Galdana

  • Macarella e Macarelleta

  • Turqueta

  • Mitjana

A Gastronomia

Tenho de confessar que a gastronomia em Menorca não foi um ponto forte da viagem. A maior parte dos sítios são caros e a qualidade deixa muito a desejar, e até as tapas foram difíceis de encontrar. Mas confesso que o que não ajudou mesmo nada foi o facto de eu não gostar de marisco, o que eliminou logo à partida mais de metade das opções.

Ainda assim, além do bar/restaurante do hotel, destaco os três espaços:

Ciutadella – Ses Voltes: Muito perto do centro da cidade, encontrámos este restaurante com bom ambiente e boa comida a um preço acessível – finalmente tapas!

Binibeca – Cafetería Binibeca Vell: O melhor almoço da viagem. O ambiente não é nada de especial, na verdade, mas comemos um peixe grelhado maravilhoso junto à praia.

Cala Galdana – Delit: Comemos aqui duas vezes. Boa relação preço-qualidade, o gerente conquistou-nos desde o primeiro momento e deu-nos algumas dicas sobre a ilha. Foi neste restaurante que provámos pela primeira vez a ‘Pomada’, a bebida típica de Menorca que é uma mistura de gin menorquino com sumo de limão, muito refrescante. 

Além das Praias

Mas nem só de praia se fez esta viagem: no penúltimo dia, o dia em que o vento não nos largou, aproveitámos para conhecer Maó, Ciutadella e Binibeca.

Começámos o dia em Maó e, para mim, foi uma desilusão. Não que esperasse muito, mas certamente esperava mais. Tem o centro histórico, a marina e alguns cafés com bom ambiente e boa comida, mas não foi uma cidade que me fascinasse.

Ciutadella foi precisamente o oposto: surpreendeu-me bastante. Vale a pena visitar e andar pelas ruas históricas daquela que foi por muito tempo a principal cidade menorquina.

Seguimos também a sugestão do dono do restaurante Delit e fomos visitar Binibeca. Na verdade, a ideia inicial era irmos ver o pôr do sol à Cova d’en Xoroi, um bar/discoteca muito conhecido por estar localizado dentro de uma gruta à beira-mar. No entanto, é um sítio muito turístico e caro – a entrada, mesmo durante o dia, custa cerca 15€. Binibeca, a ‘Santorini de Menorca’, apesar de também ser bastante turística, é realmente muito encantadora e “sempre tiram umas fotografias bonitas”, disse-nos o simpático gerente. Foi o que fizemos e não nos arrependemos nem um bocadinho. 

Hora de regressar… mas não a casa. A próxima paragem do itinerário é Barcelona. Até já!