Pela quarta vez, num dos bairros mais caraterísticos de Lisboa, realizou-se o festival Caixa Alfama.
O festival do Fado contou com nomes de peso, como Carminho, Marco Rodrigues, Gisela João, Ricardo Ribeiro, Aldina Duarte, Raquel Tavares, entre muitos outros.
O Caixa Alfama é, não só um festival, como uma experiência. Para os que não conhecem o bairro, é fácil perdermo-nos entre as ruelas – o que também faz parte desta experiência – e o fado, elevado a Património Imaterial da Humanidade há uns anos, ouve-se e sente-se em cada esquina. Mas o Fado não é para todos. O Fado é um ritual – e que o diga Raquel Tavares que mostrou a todos os presentes como o leva muito a sério.
No entanto, o recinto também tem pontos menos satisfatórios. Exceto no Palco Caixa, os restantes palcos têm pouco espaço e muitos tiveram de se contentar em ouvir os artistas do lado de fora. No espetáculo de Marco Rodrigues, por exemplo, o Centro Cultural Dr. Magalhães Lima foi pequeno até para os que conseguiram entrar e dezenas de pessoas não conseguiram sequer ter essa oportunidade.
Mas que não se pense que, por isso, se perde muito do Fado. Pelo contrário. Existe uma grande variedade de palcos e, além destes, até nas janelas se ouve o som de uma guitarra portuguesa.
Raquel Tavares e Carminho foram as artistas com maior afluência. A última, uma das mais reconhecidas dentro e fora do nosso país, enfeitiçou o público com a sua voz: a fadista cantou até sem o auxílio de microfone e, nesses minutos, não se ouviu um som além da melodia da sua voz, no Palco Caixa. Raquel Tavares encantou os presentes com o seu fado, um pouco mais melancólico, e aproveitou a oportunidade para homenagear quem diferença fez no seu percurso enquanto fadista e na sua vida.
O Fado pode não ser para todos mas para os que vão ao Caixa Alfama, o Fado é de todos!