Os meus 23 em Cádiz

Saí de Faro no dia 11 de setembro bem cedo. Paragem na estação de serviço da autoestrada para beber um café e a viagem continua. Destino: Cádiz, Espanha. Mas, antes disso, uma visita rápida a Jerez de la Frontera, uma cidade não muito grande mas com uma catedral lindíssima.

Entrei pela Puerta de Tierra, cheguei a Cádiz! A hora marcada para o check-in com o anfitrião da casa que arrendei através do AirBnB, em pleno centro histórico, já tinha sido ultrapassada... mas o Luis Javier mostrou-se compreensivo com o atraso, tendo em conta a distância a que tive de deixar o carro estacionado e, muito atencioso, mostra-me a casa e dá-me um mapa com os melhores sítios para visitar assinalados.

Começa agora a minha visita à cidade fundada por Hércules, segundo a lenda – na realidade, Cádiz foi fundada pelos fenícios e o seu porto comercial foi um dos mais importantes da Europa durante os séculos XVIII e XIX. A caminho de famosa praia de La Caleta, passei pelo jardim botânico de San Fernando e pelo Castelo de Santa Catalina.

Um dos meus planos obrigatórios nesta viagem era despedir-me dos 22 a ver o pôr-do-sol na praia de La Caleta e devo dizer que não me desiludiu nem um bocadinho. A tonalidade do céu na altura do crepúsculo foi inesquecível, um momento de pura descontração e admiração. Mesmo com a quantidade de pessoas que se encontravam no local, o silêncio reinava.

Depois deste momento, o que reinava mesmo era a fome, admito. O jantar foi num dos restaurantes típicos do bairro La Vina e, devo dizer, que fiquei surpreendida pela qualidade do atendimento... Em Madrid, a minha experiência com restaurantes não foi propriamente a melhor mas, ao longo desta viagem, não tenho um ponto negativo a apontar. Catorze quilómetros percorridos a pé desde a chegada a Cádiz, chega então a hora mais esperada da viagem: é meia-noite e estou no meu loft do século XVIII, totalmente remodelado. Mais um aniversário em viagem, 23 no total.

O dia 12 de setembro – o dia mais bonito do ano! – começou bem cedo e foi passado em verdadeiro modo turista: visita à Torre Tavira, onde se encontra uma câmara obscura através da qual podemos observar toda a cidade, 360º, em tempo real; à Catedral de la Santa Cruz, um monumento imponente junto ao mar e de onde também se pode observar a cidade a partir da Torre do Relógio – ia só ficando surda depois de um sino começar a tocar precisamente no momento em que estava de baixo dele...; passagem pela Plaza San Juan de Dios e pelo Monumento da Constituição de 1812.

É neste momento que, como sempre, acontece um pequenino mas importante contratempo... Quem me conhece sabe que sou muito atenta às pequenas coisas quando vou de viagem e esquecer-me de algo importante é mesmo – MESMO – muito raro! E quando é que isso tinha de acontecer? Exato. No meu dia de anos. Em Cádiz. Fiquei sem bateria na minha máquina fotográfica e o carregador ficou a descansar em Faro. Boa Leonor! A partir daqui, todas as minhas fotos foram tiradas com o telemóvel e comigo sempre a pensar que a qualquer momento ia ficar sem bateria também no iPhone – pelo menos o carregador andava sempre comigo na mala, menos mal! O dia terminou com um jantar no restaurante Balandro. Recomendo! Não é o restaurante mais acessível que se encontra em Cádiz, é certo, mas a qualidade da comida, o ambiente e o atendimento definitivamente compensam.

Para o último dia deste meu aniversário prolongado tinha planeado passar por Sevilha, cidade que já conheço mas pela qual sou apaixonada. No entanto, tendo em conta o tempo outonal que se fez sentir – com direito a chuva torrencial, frio e vento – fez com que rapidamente alterasse o trajeto e decidisse antes visitar Huelva. Almocei num restaurante do centro e, como não podia deixar de acontecer, encontro um português – há uma coisa que as pessoas têm de perceber, em qualquer viagem que façam, seja para onde for, hão de encontrar um português algures! O português era o funcionário do restaurante La Mirta, onde estava a almoçar. As fotografias não enganam, tudo – sublinho, tudo! – estava simplesmente perfeito. Claro que não perdi a oportunidade de estar a ser servida por um português para pedir um café expresso decente! "À nossa maneira, não é?", sim, por favor, preciso de um bom café! Obrigada!

Este funcionário tão prestável deu-me ainda um mapa de Huelva e disse-nos que tinha de visitar o Muelle de Las Carabelas, onde estão várias réplicas das caravelas onde Cristóvão Colombo andou por aí a descobrir novos lugares na época dos Descobrimentos. Além de interessante, achei o museu muito bonito e gostei especialmente de poder entrar nas caravelas.

Às dez horas da noite estou de volta a casa, em Portugal, com mais um destino riscado da lista e com o desejo de ter sempre aniversários assim: feliz, completo e em viagem! Espanha nunca me desilude. Qual e quando será a próxima visita?