Córdoba: Da Mesquita-Catedral à Rota dos Pátios

O regresso à normalidade (possível) fez-se agora para mim. A primeira vez que saí do país desde dezembro de 2019. A viagem a Córdoba estava planeada para abril de 2020 – que não aconteceu por motivos óbvios – mas mais de um ano depois finalmente aconteceu.

Confesso que o primeiro impacto não foi o melhor. Chegámos perto da meia-noite de sexta-feira e escolhemos um hotel no centro da cidade velha, perto do Templo Romano, numa zona de muito movimento à noite, com muitos bares e muito difícil para estacionar o carro. Por conta da hora, o parque pago mais próximo estava lotado e a solução foi deixá-lo a cerca de 2 km de distância e voltar a pé para o hotel.

No entanto, no dia seguinte a minha opinião mudou. A primeira visita foi, como não podia deixar de ser, a Mesquita-Catedral de Córdoba, o ex-líbris da cidade, e que não me desiludiu – bem pelo contrário.

Mesquita-Catedral de Córdoba

A história da Mesquita é fascinante: começou por ser uma basílica visigoda até Abd al-Rahman a transformar numa grandiosa mesquita, em 784 e foi usada como lugar de culto islâmico até 1236. Depois, a mesquita foi transformada numa catedral e sucessivamente foram sendo construídas capelas, a nave central e a conversão do minarete em campanário. Para saberem a história mais detalhada, convido-vos a lerem o artigo da Alma de Viajante, que foi o responsável pelo início do meu deslumbramento.

A Mesquita-Catedral de Córdoba é um mix de ambas as culturas, islâmica e cristã, e por mais que se vejam fotografias, nada se compara ao impacto de a ver ao vivo. Foi declarada Património da UNESCO em 1984 e em 2014 elevada a Bem de Valor Universal Excecional.

Judiaria

Depois de horas a perder-me nos detalhes da Mesquita, hora de almoçar. Segui-me pelo conselho da minha querida amiga Lúcia e fui à Taberna Agora Mezquita. A comida é ótima e com direito a música tradicional ao vivo.

Daqui seguimos pelas ruas do centro histórico até à famosa Rua das Flores – esta rua não tem nada de especial, na verdade, é popular por ser bonita com os típicos vasos nas paredes e com vista para a torre da catedral.

O plano era visitar o Alcázar dos Reis Cristãos mas neste fim de semana os jardins estavam a ser utilizados para um evento pelo que só conseguimos visitar o interior, mais concretamente o Salão dos Mosaicos.

Para visitar o Alcázar dos Reis Cristãos é necessário agendar previamente.

Rota dos Pátios

Perdemos muito tempo para conseguir perceber como é que fazíamos esta rota. Córdoba é conhecida pelos seus pátios que se localizam em casas privadas. Há vários pátios abertos a visitas mas a maioria carece de marcação prévia. Andámos às voltas durante demasiado tempo até percebermos onde e a que horas é que podíamos comprar o bilhete para fazer a Rota dos Pátios (da parte da tarde só abrem às 17h!). O bilhete custa 5€/pessoa e garante a visita a 5 pátios, que estão localizados no Bairro San Basilio. Não precisam de fazer a rota de seguida: como estava muita gente no primeiro pátio, passámos deixámos o primeiro para último lugar para perdermos menos tempo.

Todos os anos, no Festival dos Pátios Cordobenses, os proprietários concorrem pelo pátio mais bonito de Córdoba. Na minha opinião, esta rota vale a pena por ser uma tradição da cidade e não por ser algo do outro mundo.

Ponte Romana

A vista da Mesquita-Catedral do outro lado do rio é muito mais bonita do que quando estamos perto.

Terminamos o dia a jantar no restaurante La Tinaja, junto ao rio.

Um dos pratos mais típicos de Córdoba, o Salmorejo.

Deixámos Córdoba no dia seguinte de manhã, depois de um último passeio pelo centro histórico. Foi um fim de semana que me fez perceber das saudades que tinha de viajar, de sair do quotidiano e ir conhecer novos sítios e novas histórias. Já estou a pensar na próxima...