Um amor chamado Porto

Já perdi a conta às vezes que aqui estive. Assim como já perdi a conta às vezes que me maravilhei com esta cidade, cinzenta e ao mesmo tempo cheia de luz.

Já perdi a conta às vezes que passeei por aqui, que fiquei enfeitiçada pelos Clérigos e a sua vista panorâmica, que corri a Avenida dos Aliados ou a Rua de St.ª Catarina, sempre tão movimentada. E já perdi a conta às vezes que me apaixonei pelo Douro, seja num passeio pela Ribeira ou simplesmente sentada a observá-lo na companhia de um café.

Mas em cada regresso há uma nova descoberta. O Porto tem destas coisas: fazer-nos apaixonar pelas mesmas vistas vezes sem conta e, em cada uma delas, reparar em algo novo, numa nova perspetiva. E depois, há as pessoas. As pessoas que são tão calorosas, assim como a comida, que nos aquece mesmo nos dias frios e chuvosos. E há o vinho, que cai bem com essa comida tão portuguesa.

O Porto é uma cidade cosmopolita e ao mesmo tempo tão tradicional. É apreciar a vista da cidade de um miradouro no coração da cidade ou é vê-la a partir da vizinha Vila Nova de Gaia, seja da Serra do Pilar ou do maravilhoso terraço do hotel The Yeatman. É entrar na antiga e tão atual Livraria Lello e querer todos os livros – mais: é querer especificamente aquela biblioteca tão mágica. É visitar a imponente Sé do Porto e, pelo caminho, apreciar os azulejos da Estação de S. Bento. É ir assistir a um concerto na futurista Casa da Música e conduzir pela enorme Avenida da Boavista até chegar à Foz, à praia e ao nosso mar, só para voltar para o centro da cidade e tentar decorar o nome de todas as pontes que atravessam o Douro.

É tudo isto e muito mais porque, como disse, de cada vez que se visita o Porto há algo novo (um rooftop perfeito para as tardes de verão, um restaurante, um bar), mas o sentimento é só um: amor. Um amor chamado Porto.